Por entender que a suspensão do leilão da Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel) causaria grave lesão à administração pública, o presidente do
Superior Tribunal de Justiça, ministro João Otávio de Noronha, suspendeu a
decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região que impedia o leilão de
compra de energia, marcado para esta sexta-feira (31/8).
Segundo o ministro, a suspensão interferia indevidamente no juízo de
oportunidade e conveniência do Poder Executivo, impedindo o “transcurso normal
de atos administrativos importantes para o setor energético”. A decisão é
válida até que seja julgado o mérito do mandado de segurança ajuizado por uma
das empresas habilitadas a participar do leilão, em trâmite na Justiça Federal
do Rio de Janeiro.
Regulado pela Portaria 121/18 do Ministério das Minas e Energia, o
Leilão A-6/2018 visa à contratação de energia elétrica de novos
empreendimentos de geração de fontes hidrelétrica, eólica e termelétrica. O
início de suprimento da eletricidade está previsto para 2024.
Ao analisar o caso, o ministro entendeu que há grave violação à ordem
administrativa, já que a suspensão do leilão extrapolou a competência do TRF-2.
Noronha pontuo também que "o certame diz respeito a uma questão
'sensível', a compra de energia elétrica, e sua realização envolve complexo
estudo para o atendimento das demandas das distribuidoras".
Regularização
Em mandado de segurança, uma das empresas habilitadas a participar do leilão, a
Evolution Power Partners S/A, conseguiu liminar do TRF para determinar que a
Empresa de Pesquisa Energética regularizasse informações relativas à sua
habilitação técnica.
Depois, ao julgar recurso da EPE contra a tutela antecipada, o TRF-2
determinou a suspensão do leilão. A União e a Aneel pediram ao STJ a suspensão
das duas decisões do TRF-2 — a primeira, sobre regularização de
informações pela EPE, e a segunda, que suspendeu a realização do leilão. De
acordo com as requerentes, ao suspender o leilão, o tribunal federal “concedeu
algo que nem mesmo havia sido pedido pelas partes em litígio”.
Acerca da decisão do tribunal regional que tratava da habilitação
técnica da empresa concorrente, o ministro entendeu que não houve comprovação
suficiente de grave lesão que justifique a suspensão da liminar. Com informações
da Assessoria de Imprensa do STJ.


0 comentários:
Postar um comentário